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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

[Conto] O último cometa do século! (versão 3)

- Dona Clotilde, não tenho mais nada para conversar com a senhora! Aliás, já faz mais de um mês que a senhora não trabalha mais conosco...
- Mas Seu Gregório, o senhor sabe que eu sou uma mulher de Deus! Sou evangélica! Aquilo que aconteceu foi um momento de loucura – e a culpa foi toda daquele cafajeste do Adamastor! O senhor acredita que mesmo depois de tudo o que aconteceu, ele sequer me ligou para saber como eu estava? Passou meses flertando comigo durante o serviço, se fazendo de homem sério, e no final o que aconteceu? Sequer falou comigo depois que conseguiu o que queria! Como o senhor sabe, eu sou uma mulher sozinha desde que o Cléverson, meu marido, saiu de casa – isso já faz cinco anos, e desde então eu continuei imaculada...
- Dona Clotilde, não me interessam seus problemas pessoais...
- Mas, pelo amor de Deus, o senhor tem que me ouvir! Eu sou uma mulher sozinha há mais de cinco anos, e preciso do emprego para pagar minhas contas! Não tenho filhos, nem irmãos, e todos os meus parentes já morreram – além do mais, eu vim do interior muito nova pra esta cidade imensa, não tenho com quem contar! Minhas únicas amigas são da igreja, e todas são casadas – não vão poder me receber até que eu consiga um novo emprego. Moro num conjugado num bairro distante, e se eu não pagar o aluguel, o senhor já sabe, né?! O proprietário já ameaçou me botar pra fora na pancada! Na pancada! Pra pobre, o senhor sabe como é a justiça, né?! Sou uma mulher de idade, Seu Gregório: não conseguirei um emprego como este – esse mundo não dá vez para mulheres da minha idade! Eu juro, Seu Gregório, eu vinha trabalhar todos os dias pontualmente, nunca me insinuei, sempre usei o uniforme do condomínio, comportada, nunca causei problemas, sou uma mulher de idade, evangélica...nunca dei motivo nenhum para ele me atacar daquele jeito! Desde que meu marido saiu de casa, entreguei meu corpo a Jesus! Quando saio, é para ir à igreja – e sempre com saia comprida, cabelo preso e sem maquiagem. Sou dizimista. Sigo tudo o que o pastor nos ensina durante os cultos! Já estava decidida a não ter mais nenhum homem na minha vida, até que aquilo tudo aconteceu...sou uma mulher casada com o nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Gregório...
- Sei...
- O Adamastor não – vinha sempre com aquele bafo de cachaça, e apesar do jeito rude dele na frente dos outros, quando estávamos a sós ficava me paquerando, dizendo gracejos, me olhando com malícia. Eu sempre continuei na minha, esperando que ele me convidasse para sair, para conversar – mas não! O Adamastor queria o mesmo que todos os homens querem – só eu que fui burra e não percebi a tempo...como sou burra! Todos sabem que ele é um sujeito sozinho, por isso é tão rabugento! Ou é sozinho porque é rabugento, agora não sei mais! Acho que ele ficou rabugento assim desde que a mulher e a filha foram morar no interior – ele diz para todos que ela foi morar com a sogra, mas todos comentam que ela arrumou é outro homem mesmo, porque não agüentou o Adamastor. Não duvido nada – aquele machista, pudim-de-cachaça! Mas no fundo eu sempre o defendi, quando todos os outros funcionários começavam a falar mal – o senhor sabe como é o gênio do Adamastor, né, não se dá bem com ninguém, e todo mundo sabe que nunca foi mandado embora só por ser antigo no condomínio. Dizem que ele está aqui desde muito moço! Mas eu via ele com certa simpatia, afinal somos todos criaturas que Deus colocou na terra para viver em harmonia...
- Dona Clotilde, eu realmente tenho outras coisas para fazer...
- Então...naquele dia, o Adamastor saiu apressado, e voltou logo em seguida, sem dizer aonde ia, levando uma caixa de papelão embaixo do braço – todo mundo notou, mas como ele não costuma ser simpático com ninguém, ignoramos...enfim, continuei meu serviço normalmente, limpei o saguão, varri os corredores, passei a flanela nos espelhos dos elevadores, tudo como de costume, até que tive que subir ao terraço para guardar o material na salinha da limpeza, para trocar de roupa e ir para a novena de quinta-feira. Quando cheguei no terraço, fiquei estarrecida com o que estava acontecendo ali: Adamastor se masturbava olhando as janelas dos vizinhos! Fiquei paralisada com aquela cena horrível! Seu Gregório, o senhor sabe que nosso Senhor Jesus Cristo condena a masturbação, não é?? O pastor nos disse de uma passagem na bíblia onde o Senhor Jesus ficou quarenta dias no deserto, e comentou sobre esse assunto...mas enfim! Fiquei paralisada com aquela cena horrível! O Adamastor veio na minha direção, tentando disfarçar o volume em suas calças, e falando sobre cometas, lunetas, e um monte de baboseiras sem sentido, só para me distrair; quando chegou perto de mim, me segurou pelos cabelos e me jogou de joelhos no chão! Não tive tempo nem de reagir, Seu Gregório: em questão de segundos ele já havia ejaculado em minha face, e enquanto eu tentava limpar meu rosto lambuzado, ele levantou minha saia, começando tudo aquilo que o senhor presenciou! Ele tinha um bafo de cachaça que só de lembrar me dá ânsias – aquele homem horrível em cima de mim! Não consegui reagir; ele era mais forte que eu, e conseguiu me dominar! Quando dei por mim, o escândalo já estava armado, as pessoas olhavam nossas vergonhas expostas como se fossemos animais, e o senhor nem ouviu nossas explicações! Seu Gregório, eu fui vítima de abuso sexual dentro desse prédio – o senhor sabe que eu poderia até entrar com uma trabalhista...
- Mas Dona Clotilde, quando eu cheguei ao terraço a senhora estava por cima do Adamastor...
- Seu Gregório, o senhor está se prendendo a detalhes pequenos! Como eu ia lhe dizendo, a culpa foi toda do Adamastor; eu preciso desse emprego, pelo amor de Deus...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

[Conto] O último cometa do século! (versão 2)

Muito prazer! Meu nome é Adamastor e sou o chefe dos ascensoristas de um belo prédio no centro da cidade – cargo que ganhei por merecimento, pois sigo no posto desde os dezenove anos, quando cheguei da Bahia. No que o síndico precisar, sempre estou à disposição, e tenho certo respeito dos outros funcionários justamente por ser o homem de confiança do prédio – qualquer desvio de conduta, de um atraso ao desleixo com o uniforme, eu encaminho ao Seu Gregório, para que tome as devidas providências. Sei que os outros funcionários falam mal de mim pelas costas, por ser muito rigoroso, mas não sei o que seria desse prédio sem mim! Não que ganhe mais que os outros para me comprometer com tais coisas, orçamento de condomínio é curto, sabe como é...mas fico satisfeito pelo respeito que a posição impõe aos outros. Agradeço a Deus todos os dias pelo meu emprego; na minha idade não é fácil arrumar nada melhor, e depois de tanto tempo, a única coisa que me especializei mesmo foi na lida com os elevadores – às vezes o elevador trava e eu consigo abrir a porta antes mesmo do técnico chegar, o que é um grande alívio para quem está preso lá dentro. Olha, nunca tive problema nenhum no emprego, até ontem, mas a culpa não foi minha! A culpa foi toda da Clotilde, da limpeza - uma coroa que é a cara do Zacarias, principalmente quando ri! Vou contar desde o princípio, para que você entenda melhor a história. No final, você me dará razão!

Acordei naquela manhã sonhando com minha ex-mulher, com uma enorme ereção. Não é muito normal acontecer, mas confesso que às vezes sinto falta daquelas carnes – um dia ela tomou um ônibus pro interior, levando minha filha para morar na casa da minha sogra, e nunca mais deu notícias, nem eu procurei. Até hoje não entendi direito o que aconteceu, e não sou homem de correr atrás de mulher. Duro é assistir novela sozinho. Bom, como dizia, acordei animado, e no caminho do ônibus decidi comprar esta luneta pra ver o último cometa deste século – como anunciou no Jornal Nacional. Fazia um calor infernal já pela manhã, e o asfalto soprava um bafo quente. Nenhum sinal de chuva nos próximos dias. Os camelôs espalhavam seus produtos pelas ruas; um carro-forte atrapalhava o trânsito na esquina de baixo, com seguranças armados e escolta da polícia; o funk soava forte no som de um Passat 82, com a lataria podre; buzinas gritavam o berro do recém-nascido esquecido dentro do carro, enquanto o calor cozinhava tudo isso em uma cena do juízo final. O serviço correu normal naquele dia; saí pontualmente, tomei uma cachacinha um pouco mais à frente, e fui até a loja; com o embrulho embaixo do braço achei melhor tentar montar tudo na cobertura do trabalho mesmo. Pegar o ônibus lotado com aquela caixa debaixo do braço seria complicado demais. Custou metade do meu salário, mas queria muito ver de perto o cometa e como o lojista parcelou em dez vezes no cartão de crédito, acabei comprando – por algum motivo estranho, meu crédito no cartão é bem maior que meu próprio salário. Parei pra tomar uma cervejinha antes de voltar pro prédio, só pra fazer uma hora e refrescar o calor.

Pois então! Perto das seis e meia, entrei apressado tentando não chamar a atenção dos outros funcionários, subi, e montei a parafernália por lá, e como ainda estava claro, comecei a olhar as janelas dos prédios em volta. Tudo muito chato, gente chegando nos prédios residenciais, gente se descabelando de trabalhar nos escritórios, e na janela de um dos prédios, um coroa mandando ver na secretária deliciosa – fiquei ali assistindo aquilo tudo, até que o pior aconteceu. A ereção da manhã tinha voltado com toda a força, o bicho latejava, e eu tomei um susto quando senti a Clotilde chegar de surpresa e botar a mão dentro da minha cueca. Essa mulher vive me dando indiretas, mas não tem cristo que agüente: é muito xarope e, além disso, é um dragão! Tentei disfarçar o volume na calça, falei sobre o cometa, sobre a luneta, mas ela já tinha subido decidida – quando percebeu minha ereção não teve dúvidas, me olhou com cara de fêmea no cio, ajoelhou e começou a me chupar. Tá certo que a ereção não era pra ela, e que ela não era a coisa mais atraente do mundo, mas não consegui me controlar e mandei tudo na cara dela, que depois me puxou pro chão com tanta força que eu acabei caindo no chão. Tem coisas que fazem o homem voltar a ser bicho. Só voltei a mim quando ouvi o Seu Gregório gritando nossa demissão para uma platéia de janelas à nossa volta – mandou a gente embora sem pensar duas vezes. Uma vizinha havia ligado indignada para a portaria. Algumas crianças já ensaiavam jogar água fria na gente. Os outros funcionários não paravam de rir de mim – o São Jorge do condomínio. Clotilde, semi nua, se escondia atrás de mim, com aquele corpo de carnes flácidas e sua boca quase invertebrada. Com o que gastei na luneta, poderia ter feito umas quinze visitas às camélias do passeio público – mais novas, com dentes, camisinha, e preservando meu emprego! Do céu ao inferno num piscar de olhos! Pior foi perceber depois que o cometa tinha passado durante aquilo tudo, não sei bem se enquanto comia a Clotilde ou se durante a repercussão do caso – só sei que perdi o cometa e o emprego no mesmo dia, e agora não tenho nem como pagar a luneta. Sou uma pessoa de Deus, mas minha vontade é de matar aquela faxineira dos infernos. Mas voltando ao que eu queria lhe dizer, por isso estou aqui, meu senhor: tem como o senhor receber essa maldita luneta de volta? Sequer foi usada...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

[Conto] O último cometa do século! (versão 1)

Adamastor era um sujeito meio sedentário, meio alcoólatra, meio obeso, meio coroa. Quase sem amigos, quase sem dinheiro, quase sem sair de casa. Sem mulher, sem rumo e sem objetivos. Com cabelos brancos, com barriga e com uma preguiça indomável. Não que sua auto-estima fosse algo desastroso: era apenas um sujeito adepto de não fazer muitas escolhas, muito menos de tomar decisões mais ousadas. Simplesmente se recusava a escolher, nadava conforme a maré, e tentava não se envolver com as coisas. Acordava cedo e tomava café-com-leite, pão, margarina e mussarela, invariavelmente. Depois saía pontualmente para o trabalho, onde era ascensorista de um velho prédio no centro da cidade desde os dezenove anos. Mantinha-se no cargo por ser sempre o braço direito do síndico, fosse ele quem fosse, delatando qualquer desvio de conduta dos colegas mais displicentes, caso necessário. No almoço, era feijão, arroz, bife e salada, com suco artificial de caju. De noite, ao chegar em casa, repetia o lanche da manhã e ia dormir depois da novela – nunca sem antes esquecer de rezar um rosário completo. Nos sábados se divertia assistindo a um decadente programa humorístico, permitindo-se ir até um pouco mais tarde. Não gostava de praia, nem de mato, nem de sol, nem de frio, nem de esportes, nem de cigarros, drogas ou afins. Quando saía, era sempre com um velho amigo de infância, num bar perto de casa, para tomar uma cervejinha gelada – sempre da mesma marca – e falar do futebol, afinal ninguém é de ferro. A ex-mulher levou a filha para o interior, para morar com os avós, e nunca mais deu notícia – e como ele mal tinha dinheiro para se sustentar, nunca se incomodou com a pensão alimentícia. Tudo muito tranqüilo, incluindo sua vida sexual – uma visita ou outra às caminhantes noturnas do passeio público lhe tiravam a tensão do dia-a-dia. Gostava de prostitutas; eram sinceras, acessíveis, e não lhe exigiam nada que não estivesse realmente disposto a fazer, como enviar flores ou um cartão de aniversário, ou ficar ouvindo sobre como seu dia foi entediante. Sua grande expectativa nos últimos dias era a passagem de um cometa pela terra, o último deste século segundo o apresentador do Jornal Nacional - a única vez que havia visto um, foi em sua infância, no interior da Bahia, a cidade inteira reunida na praça para assistir o fenômeno – agora era uma oportunidade única para reviver aquela experiência. Estava quase decidido a comprar uma luneta que custava metade do seu salário, mas ainda tinha dúvidas.

No serviço tudo continuava da mesma maneira. Adamastor era a autoridade entre os ascensoristas e porteiros do prédio, e motivo de deboche quando não estava entre eles. Além de todos os porteiros e ascensoristas nada simpáticos à sua presença, havia uma mulher disposta a fazer-lhe de graça tudo aquilo que as meretrizes lhe faziam cobrando, a Clotilde, da limpeza, mas a quantidade de palavras inúteis que ela conseguia falar em menos de um minuto faziam as quinze pratas e o amor frio valerem a pena. Clotilde era daquelas pessoas sozinhas e desinteressantes; nunca acrescentava nada, parecia falar com desespero por atenção ou para não se sentir só, e com certeza ficaria no seu pé. Fazia monólogos de vinte minutos sobre as coisas que fazia em casa, sempre sobre tarefas básicas e óbvias, como regar as plantas, fazer café ou a depilação, sem sequer perceber que ninguém estava prestando atenção, fazia uma pausa de dez minutos, e engatava num novo monólogo sobre a consulta médica, um exame, ou uma comida que não lhe caiu bem. Com certeza ficaria no seu pé – e continuaria no seu pé por um bom tempo! Além disso, era gorda e não tinha os dentes da frente e sua risada parecia a do Zacarias; faltar-lhe os dentes tudo bem, a gordura até dá para acostumar, mas rir igual o Zacarias não – ou você consegue imaginar a mulher-Zacarias sendo sensual de alguma forma?! Melhor manter tudo como estava, e assim eram seus dias, dia após dia, café da manhã, almoço e janta; térreo, Clotilde, quinto andar; desce, abre a porta, fecha a porta, sobe; sexta feira, passeio público, prostitutas; vida sem escolhas e sem novidades, deja vu no domingo, tomando cerveja, futebol e pessoas passando pelas calçadas desertificadas pelo sol.

Acordou naquela manhã com uma forte ereção – seria um presságio? Adamastor, já com alguns cabelos brancos, seus quase sessenta anos, e uma já imponente barriga, considerava sua vida sexual normal para um sujeito como ele. Não era rico, nunca foi bonito, não sabia se arrumar, e só entendia de futebol – mesmo assim só na teoria, pois na prática era sempre o último a ser convidado para as peladas dos finais de semana. O fato é que houve uma real empolgação naquele início de dia, talvez por causa da aproximação do cometa, e logo que terminou o expediente, saiu em busca de uma loja para comprar uma luneta e observar melhor o fenômeno celeste. Cachacinha pra tomar coragem, partiu com metade do salário parcelada em dez vezes no cartão e a caixa debaixo do braço, só faltava arrumar um lugar alto para observar o fenômeno. Andar no ônibus lotado com aquela caixa era inviável, melhor arrumar um lugar pela cidade mesmo. Escolheu o terraço do prédio – o porteiro da noite devia uma para ele, e não ia se indispor com o leva-e-trás do síndico. Tomou umas cervejas enquanto a tarde passava, e voltou ao prédio perto das seis e meia, sentindo a sensação refrescante que o álcool dava às gotas de suor que lhe escorriam a testa. Cumprimentou rapidamente alguns funcionários que estavam no saguão, e subiu para a cobertura do prédio, onde ficavam as antenas e a casa de máquina do elevador. Quando o sol terminou de se pôr, começou a testar nas janelas dos prédios à volta, vendo algumas pessoas fazendo cerão após o expediente, outras vendo pornografia no computador, com semblantes sérios, e até uma jovem secretária fazendo um ‘extra’ com o chefe, em cima da mesa. Ficou observando entretido o ato quando foi surpreendido por uma mão acariciando seu pescoço. Clotilde o seguiu até o terraço, curiosa com o que estaria fazendo ali depois do expediente. Explicou impaciente sobre o cometa, a oportunidade única, a luneta, e quando percebeu Clotilde já estava ajoelhada à sua frente, esfregando-lhe as gengivas e uns tocos de dente que ainda lhe sobreviviam na boca. Não soube como lhe dizer não – não sabia dizer não, nunca soube. Foi ali mesmo, melando óculos, cabelo e aquela boca careca que a fazia parecer com o Zacarias. Ela engoliu e o puxou para o chão, determinada, e tudo terminou ali, sem camisinha, sem muita vontade, mas sem muita escolha, com o cometa observando silencioso a cena, enquanto cortava os céus da cidade pela última vez naquele século. A luneta parcelada em dez vezes presenciou sozinha o espetáculo celeste, enquanto Clotilde se sentia amada.